| CRISE MUNDIAL - A FALÊNCIA DO CONSUMISMO |
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| Escrito por Nicéas Romeo Zanchett |
| Qui, 01 de Janeiro de 2009 18:39 |
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CRISE MUNDIAL- A FALÊNCIA DO CONSUMISMO Desde o século XVII que as crises financeiras mundiais são precedidas por bolhas consumistas geradas pelo crédito fácil.
Em 2001 tivemos a crise das empresas de internet. Ai começou a grande bolha consumista que explodiu em 2008. Toda a economia é feita de ciclos com altos e baixos, mas os juros devem ser equilibrados para não gerar dívidas impagáveis. Em apenas 24 meses os americanos tiveram seus juros reduzidos de 6% ao ano para 1% ao ano. O dinheiro fácil foi o resultado do trabalho do Federal Reserve sob o comando de Alan Greenspan, considerado o atual "Papa da economia". Este experiente economista começou sua brilhante carreira em 1948, portanto a 60 anos dos quais 19 à frente do Federal Reserve. Falando da crise para os jornalistas ele disse: "De longe, é um processo que supera tudo o que já vi antes". E continuou dizendo: "E ainda não sabemos como isto vai se resolver". Na década de 40 a maioria das famílias americanas poupava 22% de sua receita. Esta poupança foi caindo anualmente, sempre estimulada pelo consumismo exagerado, e hoje as dividas respondem por cerca de 24% da renda familiar. De 1997 a 2007 o PIB americano cresceu em média 2,9% ao ano, enquanto o consumo se elevou a uma taxa anual de 3,5%. O crescimento da dívida foi de 7,5% ao ano. Dos 300 milhões de americanos, boa parte vive acima de sua real condição financeira. Seguindo o sonho da família consumista, vivem em casas e mansões espaçosas, utilizando carrões de alto luxo e tecnologia sem terem renda para isto. Na verdade o americano gasta tudo o que consegue transformar em dívida. Os recursos resultantes de dívidas colocaram US$ 3 trilhões no bolso dos consumidores. Um endividamento desta proporção só é possível com a junção de poderosos interesses. Por tudo isto, o velho sonho consumista americano chegou ao seu colapso. A bolha imobiliária foi estimulada de cima para baixo com juros insignificantes definidos pelo Fed com apoio da Casa Branca. As famílias foram incetivadas a se endividar com créditos que não podiam pagar. Os lucros dos especuladores foram espetaculares enquanto durou. A partir de cada dólar depositado em suas contas, os bancos de investimentos passaram a fazer negócios num volume 30 vezes maior do que poderiam pagar. O dinheiro fácil inundou o mercado, fez dobrar o valor das moradias estimulando as empresas a emprestarem sem critérios. Uma verdadeira ficção financeira que movimentou cerca de US$ 1,5 trilhão. O dinheiro virtual era tanto que muitos imigrantes ilegais conseguiram crédito sem a devida documentação. Pessoas que viviam ilegalmente nos EUA conseguiram dinheiro com lastro nos seus financiamentos imobiliários. Com dinheiro na mão, abandonaram os imóveis e voltaram aos países de origem com os bolsos cheios. Como sempre, os riscos são proporcionais aos lucros e aí está o resultado: - quebradeira generalizada. Aqui no Brasil os bancos ainda não sentiram muito porque trabalham num sistema de agiotagem legalizada com juros estratosféricos, apesar da nossa figurativa" lei de usura". Para se ter uma idéia a máfia italiana cobra muito menos (10% ao mes) de suas vítimas. O presidente do nosso Banco Central, Henrique Meireles, durante a audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, informou que de outubro de 2007 até o dia 17 de dezembro de 2008, a destruição de riquezas das bolsas de valores ao redor do mundo já somava a absurda cifra de US$ 31 trilhões. Ainda segundo ele, as perdas só do sistema bancário mundial estão próximas de US$ 1 trilhão. O FMI estima que, ao fim da crise, as perdas somarão US$ 1,4 trilhão. O que estamos assistindo é a falência do sistema de crédito que levará à falência do consumismo irresponsável, sob o qual repousa um sistema perverso de lucro fácil com dinheiro virtual. O governo americano segue abrindo o cofre na tentativa de estancar a hemorragia de sua própria irresponsabilidade. A população americana e o resto do mundo, com seu trabalho e através dos impostos, pagarão a conta da tragédia criada pelos espertos especuladores que inventaram e administraram o sistema financeiro falido. Da noite para o dia, em todo o mundo, surgiram trilhões de dólares para recolocar o sistema consumista nos trilhos. O que se pergunta é: De onde vem tanto dinheiro? Por que este dinheiro nunca foi utilizado para, pelo menos, amenizar a miséria humana ao redor do mundo? Como fica a crise alimentar mundial que, sem dúvidas, é resultante da especulação com alimentos transformados em commodities? Como fica o meio ambiente que teve seus recursos naturais exauridos no sistema capitalista de extrema exploração como se fossem inesgotáveis? Como ficará o emprego na economia mundial daqui para frente? A depressão da década de 30 quebrou 1.800 bancos nos Estados Unidos, derrubou em 20% o PIB das sete maiores economias do mundo, provocando desemprego de 33% nos EUA e na Alemanha. As taxas de crescimento obtidas nos últimos anos foram conseguidas com exagerado nível de consumo e abundância de crédito que geraram o alto nível de risco. Os Estados Unidos são a maior economia do mundo e a diminuição do consumo de sua população provocará queda nas importações provenientes de países como Brasil, China e Índia. Nos últimos anos o Brasil foi beneficiado pelo crescimento da economia mundial, mas nas últimas semanas a crise atingiu os setores de exportação e crédito externo. A construção civil e o setor automobilístico dependem de crédito e já estão em forte desaceleração. As medidas paliativas de redução de impostos para incentivar o consumo irresponsável, logo estarão esgotadas. O governo brasileiro não está fazendo o dever de casa que é reduzir as despesas. A gastança continua e até está aumentando. É uma verdadeira tragédia anunciada. A crise já chegou e parece que não é apenas uma simples "marolinha", como disse o presidente Lula. A desvalorização significativa do real irá restringir a liquidez doméstica pressionando devedores com juros mais altos e prejudicando as previsões de investimentos e de consumo. Hoje estamos iniciando um novo ano. Antes de comprar alguma coisa, pergunte se você não pode viver sem ela. Romeo Zanchett - artista plástico. http://superpopulacao.spaceblog.com.br http://escandalospoliticos.spaceblog.com.br
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