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Escrito por Nicéas Romeo Zanchett   
Qua, 11 de Fevereiro de 2009 12:44

Machado de Assis                                                      MACHADO DE SSSIS

                                          O molequinho do morro do Livramento.

Pelas ladeiras e ruelas do morro do Livramento, no Rio de Janeiro, vagava aí pelos idos da primeira metade do século XIX um moleque franzino, arisco, observador e inteligente. Seus brinquedos e diversões seriam"caçar ninhos de pássaros ou perseguir lagartixas nos morros do Livramento e da Conceição, ou simplesmente arruar à toa... Era o mestiço Joaquim Maria Machado de Assis, filho de um pobre pintor e de uma lavadeira. Era um menino doente, sofrendo umas "coisas esquisitas" -(epilepsia).

Mas o desejo de aprender sobrepujava todas as deficiências de ordem social e física.

Era mestiço, plebeu, pobretão, tímido e gago, e ainda por cima, epiléptico. Não tinha amigos ou protetores poderosos que, a um passe de mágica, lhe transformasem todas aquelas desvantagens em outros tantos dons, capazes de fazê-lo um grande vitorioso na vida social.

Mas naquela alma recatada e humilde havia uma flama inesxtinguivel, havia o fogo central duma idéia galvanizadora: ser artista, ser escritor, vasar na prosa ou no verso os sonhos de uma alma adolescente ou as experiências da maturidade.

Foi êsse ideal de arte e de beleza que operou todas as transformações necessárias a fazer do mestiço, do plebeu, do pobretão, do tímido, do gago e do epiléptico, o homem de maneiras corretas e medidas, o aristocrata da língua, o funcionário cumpridor de seus deveres e ao abrigo da pobreza, o escritor famoso, que os contemporâneos estimavam e admiravam e os moços veneravam e saboreavam, como dos que melhor escreveram entre nós e dos que mais fundo desceram no coração humano, para descobrir as florações psicológicas que mostram o homem tal qual é, com as suas misérias e com as suas grandezas.

Mas esse trabalho de assenção ele o executou dolorosamente, penosamente. Lutou dia a dia contra todas as desvantagens, numa vigilância incansável, para que os de fora (exceção feita de raro íntimos) não bisbilhotassem o que ia de tenacidade, de esfôrço doloroso, do sigilo ciumento, naquela criação de um novo homem que o mestiço Joaquim Maria queria realizar. E conseguiu-o.

Cortando na própria carne, sufocando certos sentimentos mais ternos, vigiando sôbre si mesmo com a intransigência inclemente de um verdugo, fazendo da própria timidez um recurso de defesa contra as investidas da curiosidade alheia, Joaquim Maria criou Machado de Assis, o chefe de seção, o escritor castiço, o artista ordenado e sereno, o acadêmico, o homem frio e correto, incapaz das palmadinhas das intimidades e das exibições cabotinas. O molequinho do morro do Livramento se transformou no mais vernáculo e mais profundo escritor da literatura brasileira. O filho do pintor pobre e da lavadeira chegou a ser presidente da Academia Brasileira de Letras.

Para muitos não de justifica tanta glorificação e outros acham que não merece tanta publicidade um escritor que descreveu as pequeninas misérias da alma humana, ou os seus grandes dramas, mostrando os caminhos secretos e vergonhosos da sociedade, sem ter para esses males e misérias palavras de censura acre, ou sugestões de meios de regeneração.

Seus romances não terminam com um personagem setencioso a resumir didaticamente o ensinamento moral a tirar da história, nem estão refertos de máximas para uso dos que queiram andar direitinho na vida. Mas não contem o endeusamento dos vícios, nem se deleitam  na pornéia. Porque ele foi, antes de tudo, um artista. E um artista especial: um humorista, isto é, uma criatura a quem a vida magoa com todas as suas feiuras e maldades e que aspira por outra vida menos cruel e menos cínica.

Percorreu várias escadas sociais. Veio das baixas camadas e chegou a ser presidente da mais alta sociedade cultural do país.  O molecote de outrora passou a ser chamado de mestre pelos homens mais inteligentes de sua terra e hoje é admirado no mundo todo.  Nessa ascenção, porém, foi conhecendo os homens. Contemplou-os  nos seus vários aspectos, desde o escravo até o ministro, desde a mucama até as marquesas. Viu os seus erros, os seus vícios, os seus crimes, como notou também as suas qualidades e as suas virtudes. E como sofrera muito por causa justamente daqueles vícios e daqueles cinismos, foi sempre com a amargura dos que querem uma sociedade melhor que ele escreveu os desmandos dos que fazem as sociedades.

Se por vezes parece mostrar-se cínico, egoista, inescrupuloso, hipócrita, vaidoso, sensual, ganancioso, é que os homens são tudo isso e mais ainda. Se porém, não tem palavras eloquentes para castigar-lhes os vícios e torpezas, o espetáculo da vida de suas criaturas que delinquiram é demasiado triste para que não compreendamos a lição.

PALAVRAS E CONCLUSÕES FINAIS.

No mundo de hoje vivemos numa sociedade que está sem orizontes e os homens que comandam esta sociedade, com raras exceções, só almejam dinheiro e poder absoluto. A demagogia impera. Não há escrúpulo para alcançar e ampliar o poder. Os votos são comprados da maneira mais sutil como formas de protecionismos do estado que em muito superam os antigos coronelismo e patriarcalismo. Nosso país não merece isto.

A educação é o único caminho, mas não pode ser ministrada com discriminação social e racial como tem acontecido ultimaente. Dizer: Voce tem direito de entrar na faculdade porque é diferente, na cor, na raça ou na classificação social, só serve para mostrar que a discriminação existe e vem de cima. É uma forma demagógica que só cria animosidades que esacerbam as discriminações e racismo.

O melhor caminho é dar uma escola de base para que aqueles que realmente querem, possam chegar lá .

Machado de Assis é o verdadeiro exemplo de garra e vontade. Se formos buscar na história, certamente encontraremos muitos outros Machados que também chegaram lá sem nenhum protecionismo.

Nicéas Romeo Zanchett - artista plástico

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