| JOSÉ DE ALENCAR |
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| Escrito por Nicéas Romeo Zanchett |
| Qua, 11 de Fevereiro de 2009 16:38 |
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O menino que lia romances. Em torno da mesa, à luz avermelhada do candieiro, a família está reunida. As mulheres costuram, fazem croché, enquanto, com voz vibrante e entusiasmada, o menino José lê um romance. Que paixão e que vivacidade põe êle na leitura daquelas histórias de amor! Todos se comovem nos trechos mais sentimentais. Os olhos se enchem de lágrimas pela sorte das heroínas e pelos acentos apaixonados das declarações de amor dos namorados. Êsse mino que lia, tão vivamente para os seus, histórias de aventura e de amor, iria mais tarde escrever êle próprio histórias semelhantes, para que outros meninos,por sua vez, as lessem, nos serões tranquilos da família. Êsse menino iria escrever alguns dos livros mais belos da literatura brasileira, iria inspirar músicos e pintores, iria encher o Brasil de nomes de heróis e de heroínas de seus romances, iria dar o grito de independência da literatura brasileira contra a sujeição aos moldes portugueses, iria ensinar aos escritores futuros o amor ao estilo poético e harmonioso. Êsse menino José Martiniano de Alencar iria escrever, dentro de poucos anos, O Guarani, Iracema e Ubirajara, livros em que a paisagem brasileira se retrata com toda a sua fragrância, a sua beleza rude, a sua pujança tropical, o seu silêncio magestoso e a sua saudade imensa. Jurisconsulto, jornalista, poeta, romancista, parlamentar, orador e ministro, sua sua atividade se exerce sempre com brilho em todos os postos que assume. Tem a consciência do próprio valor. E dai certo orgulho, que se extrema quando, sendo já ministro do Estado e candidatando-se a senador do Império, é interpeladopelo Imperador, D.Pedro II, que o acha demasiado moço para figurar entre os veteranos membros do senado. A sua resposta é atrevida: "Por esta razão Vossa Magestade devia ter devolvido o ato que o declarou maior, antes da idade legal...", embora procure amenizá-la, acrescentando: "Entretanto, ninguem até hoje deu mais lustre ao govêrno". O Imperador não se desarmou diante do elogio e lhe vetou o nome ao ter de escolhê-lo na lista dos senadores vitoriosos nas eleições. Alencar vinga-se escrevendo as famosas Cartas de Erasmo, em que critica a política imperial e não hesita depois em mal disfarçar a augusta personagem e seus companheiros de política nas figuras de seu romance histórico A Guerra dos Mascates. Sua obra literária sobrepuja, porém, a sua atividade política. Nacionalista extremado, procura retratar nos seus romances e nas suas peças de teatro toda a vida do país, nos seus mais variados aspectos. É assim que escreve romances históricos, romances de psicologia mundana e feminina, romances regionais, romances sociais e romances e poemas indianistas em que fixa para a posteridade, sob o halo da poesia, a luta entre a raça conquistadora e a raça conquistada e sua subsequente fusão, simbolizada nos amores de Perí, o índio, e Ceci, a moça branca, entre o português Martim Moreno e a índia Iracema, "a virgem dos lábios de mel" e de "cabelos mais negros do que a asa da graúna". O Guarani é considerado seu melhor romance, inspira a ópera admirável de Carlos Gomes. Iracema é um poema em prosa, que lembra, pelo colorido, pela leveza e pelo pensamento triste da fragilidade do amor e das coisas belas, o próprio irisado e frágil beija-flor de nossas matas. Poetizou, é certo, a nossa paisagem e os nossos índios, como havia feito Chateaubriand com os selvícolas e paisagens das terras norte-americanas. Mas ningué, como Alencar descrevera até então tôda a majestosa grandeza das nossas matas, o troar ribombante de nossas cachoeiras, o amavio de nossos crepúsculos e de nossas noites de lua, o fragor de nossas tempestades e a bravia cólera dos nossos mares; - desses mares que ele assim descreveu, no capítulo inicial de Iracema: "Verdes mares brasios de minha terra natal, onde canta a jandaia nas frondes da carnaúba". "Verdes mares, que brilhais como líquida esmeralda aos ráios do Sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros". Nicéas Romeo Zanchett - artista plástico http://artesplasticas-artigosderomeo.arteblog.com.br
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