| MOLIÈRE - O COMEDIANTE TRISTE |
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| Escrito por Nicéas Romeo Zanchett |
| Ter, 17 de Fevereiro de 2009 17:58 |
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Jean Baptiste Poquelin - Molière - (1622 x 1673) foi o maior escritor de comédias da França. Sua própria vida foi uma grande tragédia. Desejava brilhar como ator trágico, mas não se adaptava ao papel. Desejava escrever peças sérias, mas seu público não as aceitava. Foi obrigado a escrever comédias e farças. Conseguiu apenas ser um grande palhaço. Apaixonou-se pela sua atriz principal e casou com ela, mas nunca foi amado, pois ela vivia a namorar outros homens. Sua peças estão cheias de brigas domésticas, pois conhecia muito bem este assunto. Sua brigas cênicas, tão divertidas para o espectador, eram apenas tragicamente verdadeiras para Molière. Um dia seu filho caiu gravemente doente. Dois de seus outros filhos já haviam morrido. Os médicos achavam que aquela terceira criança não passaria daquela noite. Contudo Molière, corajoso soldado que era, representou seu papel cômico no teatro, naquela noite. Ao chegar em casa, encontrou o filho morto. Sua vida era cheia da substância de que se fazem os dramas reais. O mais dramático de tudo foi, porèm, o último ato de sua vida. Numa fria noite de inverno, do ano 1673, estava atacado de uma grave inflamação dos pulmões. Os médicos acharam prudente que ficasse em casa, mas ele não deu importância aos conselhos e, como de costume, foi representar no teatro. Ao descer o pano, no ato final, o público "pôs a casa abaixo" de tanto aplauso. Exigiu um discurso, mas Molière já não podia mais discursar. Sofreu uma hemorragia justamente ao fim do último ato. Morreu alguns minutos depois. Essa última peça, na qual representou quando estava tão mortalmente doente, por extrema ironia, intitulava-se O Doente Imaginário. Molière ria para não chorar. Suas próprias experiências matrimoniais eram de pura tristesa. Ria da hipocrisia porque ele próprio era obrigado a fingir-se de hipócrita para o rei e para os outros que o toleravam e a quem êle desprezava. Ria dos bajuladores interesseiros, porque sua própria mulher o obrigava a bajular. E ao final de sua vida estava rindo dos que se imaginavam doentes, porque sua própria doença era tão amargamente real. Toda a sua carreira foi um sério drama que êle transformou, em cima do palco, numa hilariante farça. Sua vida, em outras palavras, era uma triste contradição. O veredito final sôbre o gênio contraditório de Molière foi expresso por Goethe: "Molière é tão grande que eu fico estupefato todas as vezes que o leio.... o que me agrada mais na sua obra é que suas comédias confinam sempre com a tragédia." Molière viveu no palco da comédia e morreu no palco de sua própria tragédia. O artista que queria ser um ator trágico, teve esta oportunidade na sua vida real. Nicéas Romeo Zanchett - artista plástico http://conscienciacosmicauniversal.spaceblog.com.br http://www.artmajeur.com/niceasromeozanchett
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