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Escrito por Nicéas Romeo Zanchett   
Seg, 25 de Maio de 2009 17:36

SINDICATO DOS EMPREGADOS - HISTÓRIA

A história do sindicalismo operário no Brasil está vinculado às transformações de nossa economia.

Tudo começou com a substituição do trabalho escravo pelo trabalho assalariado, especialmente na agricultura cafeeira. O lucro do café gerava muitas riquezas que eram transferidas para a indústria brasileira nascente. O poder político era mantido nas mãos dos poderosos cafeicultores.

As primeira formas de organização operária foram uma espécie de sociedade de socorro e ajuda mútua.

Com o surgimento da indústria aconteceu também a união operária que passou a se organizar por ramo de atividade originando os sindicatos de empregados.

Em 1720 ocorreu um dos mais importantes movimentos grevistas no Porto de Salvador- BA.

Em 1858 os tipógrafos do Rio de Janeiro fizeram a primeira greve contra as injustiças patronais reivindicando aumentos salariais.

Em 1892 os empregados se uniram no I Congresso Socialista Brasileiro que tinha como objetivo criar o Partido Socialista Brasileiro, mas não obtiveram êxito.

Em 1902, já sob a influência de Marx e Engels, os empregados se uniram novamente no II Congresso Socialista Brasileiro.

Em 1906 houve o I Congresso Operário Brasileiro, com 32 delegados que na sua maioria eram de São Paulo e Rio de Janeiro. Como resultado foi lançado as bases para a fundação da Confederação Operária Brasileira (C.O.B.). Neste congresso já havia duas tendências:

a) O Anarco-Sindicalismo que dava importância apenas à luta de classes dentro das fábricas e não considerava necessária a existência de um partido político para as classes operárias.

b) O Socialismo Reformista que propunha a transformação da sociedade capitalista.  Defendia também a Organização Partidária dos trabalhadores.

Entre 1912 e 1920 houve o II e III Congresso Operário que lutava para reavivar a Confederação Operária Brasileira. Já naquela época o governo tentava controlar o movimento sindical, tanto que o Congresso Operário de 1912 teve como presidente honorário o próprio presidente da República Sr. Hermes da Fonseca. A greve que se iniciou em São Paulo espalhou-se para diversos estados.

Havia duas correntes sindicalistas:

a) Os chamados Sindicatos Amarelos, cujas lideranças sindicais eram aliadas da burguesia. Entre eles havia importantes categorias como dos marítmos e ferroviários.

b) Os Anarco-Sindicalistas, viam as greves como forma de destruir o capitalismo.

Com o advento da Primeira Guerra Mundial veio também a crise de produção que reduziu e criou uma onda de greves entre 1917 e 1920.

Em 1917 houve uma greve iniciada numa fábrica de tecidos que paralizou 2.000 trabalhadores em São Paulo.

Em 1922, sob influência da Revolução Russa, alguns dissidentes do Anarco-Sindicalismo fundaram o PCB - Partido Comunista Brasileiro, marcando o início de uma nova fase no movimento operário brasileiro. O partido foi mantido na ilegalidade, mas mesmo assim editava a revista Movimento Comunista, Manifesto Comunista e em 1925 iniciou a publicação do jornal A Classe Operária, com tiragem inicial de 5.000 exemplares.

Em 1922 houve o Movimento Tenentista que se opunha à burguesia do café - a conhecida Coluna Prestes.

Em 1930 criou-se a Federação Regional do Rio de Janeiro realizando também o Congresso Sindical Nacional, congregando todos os sindicatos. Foi nessa ocasião que, influenciados pelos movimentos comunistas, surgiu a CGT - Central Geral dos Trabalhadores.

Em 1930 houve a Revolução que conciliava interesses agrários e urbanos sem a participação da classe operária.

Foi também em 1930 que houve eleições para presidente e o candidato dos operários foi o camponês Minervino de Oliveira. O eleito foi Júlio Prestes que representava a burguesia cafeeira, cuja posse foi barrada por um movimento militar que levou Getúlio Vargas ao poder.

Ainda em 1930 foi criado o Ministério do Trabalho que procurava manter os operários dentro de limites do Estado, tendo como primeiro Ministro o Sr. Lindolfo Collor.

Em 1931 surge a Lei sindical (Decreto 19770) que criou os fundamentos do sindicalismo oficial do Brasil, definindo o sindicalismo como orgão de cooperação com o estado.

Em 1935 realizou-se a Convenção Nacional de Unidade dos Trabalhadores, reunindo cerca de 300 delegados representando 500.000 trabalhadores. Foi nesta ocasião que reorganizaram a Confederação Sindical Unitária, uma espécie de central sindical de todo o movimento operário no Brasil.

Em 1939 foi decretada a lei número 1402, cuja função era aprovar ou não a criação de sindicatos. Foi neste mesmo ano que se criou o imposto sindical que até hoje prejudica os trabalhadores. Este imposto nada tem a ver com a democracia, pois obriga cada trabalhador, filiado ou não, a doar um dia de seu trabalho em benefício de um sindicato que pretensamente representa sua classe.

Em 1943 houve uma oposição liberal com o Manifesto dos Mineiros.

Em 1945, sob o comando do PCB, houve o movimento popular que conquistou a anistia ampla e irrestrita, libertando os políticos que estivessem sido presos durante o Estado Novo. Houve também a legalização do PCB.

Em Desembro de 1945 houve eleições presidenciais e Convocação da Assebléia Nacional Constituinte. Criou-se a Lei Antitruste desapropriando empresas consideradas lesivas aos interesses nacionais; Fechou-se a Organização Sociedade Amigos da América, considerada representante do imperialismo norte-americano; Vargas reata as relações diplomáticas com a URSS, é deposto e neste mesmo ano acaba a intervenção do Ministério do Trabalho nos sindicatos.

Em 1945 criou-se o Movimento Unificador dos Trabalhadores - MUT, com o objetivo de retomar a luta da classe operária, com a liberdade sindical e dando o fim ao DIP - Departamento de Imprensa e Propaganda do Tribunal de Segurança Nacional.

Em Setembro de 1946, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, houve o Congresso Sindical dos Trabalhadores do Brasil reunindo 2.400 delegados. Nesta ocasião os comunistas criaram oficialmente a Confederação Geral dos Trabalhadores - CGT.

Em 1946 o presidente Eurico Gaspar Dutra proibiu a existência do MUT e suspendeu as eleições sindicais.

Em 1947 foi determinada a ilegalidade do PCB, cassando o mandato de seus representantes no parlamento.

Em 1950, no último governo de Getúlio Vargas, o movimento sindical teve grande crescimento.

Em 1951 houve cerca de 200 paralisações provocadas por mais de 400.000 operários.

Em 1952 houve mais de 300 paralisações com maior número de trabalhadores.

Em 1953 houve a luta da classe operária contra a fome e a carestia mobilizando mais de 800.000 operários. Em São Paulo realizaram cerca de 800 greves. Foi neste ano que aconteceu a famosa greve dos 300.000 trabalhadores.

Em 1954 foi criada a UTAB - União dos Trabalhadores Agrícolas do Brasil, que mais tarde viria a ser o Sindicato do Trabalhadores Rurais.

Com a criação do Comando Geral dos Trabalhadores - CGT houve a retomada das lutas sindicais.

Em 1960 houve o II Congresso Sindical Nacional com o objetivo de combater o "peleguismo".

No governo de Juscelino Kubistchek havia muito emprego e transcorreu sem novidades relevantes.

Em 1961 tomou posse o governo Janio Quadros que durou apenas sete meses.

Em Setembro de 1961 tomou posse João Goulart que ficou no poder até 31 de março de 1964, sendo que em 1962 houve um plebicito que retornou o sistema ao presidencialismo. O sistema havia sido mudado para parlamentarista.

Em 1963 foi fundada a CONTAG - Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura.

Em 13 de março de 1964, no Rio de Janeiro, houve o Comício na Central do Brasil, com cerca de 200.000 pessoas pelas reformas de base.

Em primeiro de Abril de 1964, uma junta militar assume o poder. Comessam as reformas em todos os setores da vida nacional. Inicialmente tudo era feito de forma aparantemente democrática, mas aos poucos passaram a ser impostas.

Em 1966 a estabilidade do emprego é substituida pelo FGTS, com o objetivo de facilitar a criação de empregos.

Em 1967 foi criado o MIA - Movimento Intersindical Anti-arrocho. Foi fundamentalmente um movimento do Sindicato dos Metalúrgicos pelo fim do arrocho salarial, mas somente o sindicato de Osasco propôs avanços fora dos limites impostos pelo Ministério do Trabalho.

Em 16 de julho de 1968 houve a Greve de Osasco liderada por José Ibraim com a ocupação da empresa Cobrasma. O Ministério do Trabalho decretou sua ilegalidade e determinou intervenção no sindicato.

Em outubro de 1968 houve greve em Contagem que também foi reprimida.

Em 12 de março de 1978 os operários da Scania do Grande ABC, bateram cartão mas ninguém trabalhou.

Em maio de 1978 a classe operária volta a parar as máquinas e cruzar os braços.

Em março de 1979 repete-se o movimento de 1978 parando as indústrias.

Em 1980 surge o PT - Partido dos Trabalhadores, composto por dirigentes sindicais, intelectuais de esquerda e católicos ligados à Teologia da Libertação.

Em agosto de 1983 nasce a CUT - Central Única dos Trabalhadores.

Em 2002 os sindicalistas finalmente chegam ao poder máximo do país com seu representante maior, atual apresidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

Teve uma histórica votação em todas as classes sociais que acreditavam nas promessas de acabar com a corrupção, reformar a lei eleitoral e sindical, além de outraspromessas.

Para governar fez alianças com diversos partidos, inclusive seu grande opositor PMDB, maior partido do país.

NOTAS FINAIS.

O comando do país nas mãos dos trabalhadores não trouxe as reformas tão esperadas pelo povo brasileiro. Ao contrário, houve grande aumento da corrupção; os sindicatos continuam sem democracia interna, fazendo mau uso do dinheiro do imposto sindical; houve grande aumento nos gastos governamentais com inchasso da máquina administrativa do governo; as estatais passaram a ser mal administradas com a substituição de técnicos por apadrinhados da base aliada; o governo passou a administrar o país de maneira autoritária fazendo uso das medidas provisórias; houve enorme aumento de impostos, fazendo com que cada brasileiro tenha de trabalhar cinco meses só para o governo; o Congresso transformou-se numa fábrica de escândalos políticos; a inflação baixa conquistada no governo anterior (Fernando Henrique) se manteve, mas criou distorções prejudiciais à economia dos cidadãos,(inflação baixa com juros altos elevaram os lucros bancários à estratosféra. O povo pagante de juros virou reféns dessas instituições que aproveitam a inércia do governo e praticam juros extorsivos como verdaediros agiotas legalizados).

Desde a criação do imposto sindical muitos sindicatos passaram a ser alvo de espertalhões que os capturaram e os dominam com mãos de ferro. Muitos, sem democracia interna, viraram cabides de emprego para aqueles que os apoiam.

Ao longo dos anos, alguns sindicatos se transformaram em verdadeiras dinastias familiares. Eles vivem do imposto sindical obrigatório e não tem nenhum interesse  em filiar novos trabalhadores para não por em risco suas futuras reeleições. O apoio para o poder é mantido com altos salários pagos aos colaboradores do sistema. Como se trata de uma entidade de classe não há fiscalização do Ministério Público que, mesmo tendo conhecimento, nada pode fazer.

O mais estrando do sistema sindical brasileiro é que muitos dirigentes sindicais trabalhistas são empresários em outras atividades, quando este cargo deveria ser de um trabalhador da classe. Existe até dirigentes que nunca trabalharam na atividade do sindicato que dirige.

O mundo mudou e o Brasil também.

A crise financeira internacional certamente trará profundas modificações no relacionamento entre empresas e empregados.

Todos os anos milhares de jóvens chegam ao mercado de trabalho e o destino da maioria é a informalidade que tornou-se a maior empregadora do Brasil..

Com o aprofundamento da crise financeira mundial, a cada dia mais pessoas estarão desempregadas e não faz sentido continuar combatendo quem tenta dar emprego. É preciso compreender que se não houver empresário não haverá empresa e, conseqüentemente, não haverá empregado.

Já não existe mais espaço para este tipo de sindicalismo praticado no Brasil, como também em muitas partes do mundo. É  preciso uma profunda reforma para que este instrumento dos trabalhadores volte aos seus ideais de origem que é emprego com mais justiça, sem prejudicar o trabalhador menos protegido. Aquele que não pertence ao grande sindicato.

Com o fim do imposto sindical haverá mais democracia e os sindicatos lutarão pela filiação, conquistando novos trabalhadores de sua classe .

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Nicéas Romeo Zanchett - artista plástico

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LINKES RELACIONADOS: Vale a pena conferir. É impressionante.

http://www.sindicatomercosul.com.br/noticia02.asp?noticia=21618

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http://www.sindicatomercosul.com.br/noticia02.asp?noticia=21813

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http://www.sindicatomercosul.com.br/noticias01.asp?categoria=brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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