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HISTÓRIA DA CIDADE DA MUSICA PDF Imprimir
Escrito por Nicéas Romeo Zanchett   
Qui, 04 de Junho de 2009 10:55

                                HISTÓRIA DA CIDADE DA MUSICA

A maioria dos cariocas não conhece a verdadeira história da Cidade da Musica. Acompanhei de perto todo o trabalho desenvolvido pelo então prefeito César Maia para recuperar a centralidade cultural do Rio de janeiro e quero passar essas informações aos meus caros leitores.

1 - A Cidade da Musica - antes batizada de Cidade das Artes por seu idealizador o consagrado arquiteto Christian Portzamparc, especialista em projetos com salas de concreto como centro de gravidade, é um grande complexo de atividades tendo a musica como tema. Na eleição de 2000 o ex prefeito nos prometeu incluir em seu programa a prioridade de realizar um grande investimento num dos vetores das artes  para que o Rio recuperasse a centralidade cultural. Na ocasião lembrava que não há centralidade cultural, nem esportiva, em nenhuma cidade do mundo, sem grandes e sofisticados equipamentos que sirvam de base e referência.

2 - A decisão foi ter as Artes Plásticas como tema. Estabelecida a parceria com a Fundação Guggenheim, dentro de sua rede de museus, e desenhado o projeto-base pelo arquiteto Jean Nouvel, iniciou-se uma reserva de recursos para 5 anos, de 250 milhões de dólares. O projeto foi obstruido na justiça por ação da oposição. Insistir nesta linha mudando de parceria insinuaria uma provocação ao poder judiciário, na medida em que a questão colocada no TJ foi um equipamento centralizador de artes plásticas contemporâneas, independente de parceria.

3 - Dessas forma - mantida toda a concepção das razões de um grande equipamento de qualidade internacional - a decisão foi substituir o tema - Artes Plásticas por Musica. A primeira alternativca tinha como propósito promover, dar visibilidade e competitividade aos artistas brasileiros. A Musica, sendo razão da própria identidade do carioca, um povo acústico, já partiria alavancada nacional e internacionalmente, pela história da musica do Rio, onde trabalham os grandes compositores eruditos, e sua referência internacional em musica popular com o samba e a bossa-nova. Além do mais a Orquestra Sinfônica Brasileira passaria a ter uma sede reforçando sua centralidade nacional e qualificando-a ainda mais.

4 - Uma sala de concertos seria insuficiente, por maior qualidade acústica que tivesse. Por isso decidiu-se por um Complexo tendo a Musica como tema. Dessa forma o projeto passou a contar com uma grande sala de concertos, opera ballet, -vanguarda acústica no mundo todo-, uma segunda sala de concertos, duas salas de orquestra de câmera que seria alternativamente usada em gravações, uma escola-conservatório de musica com 10 salas, onde os professores-musicos da OSB formariam o corpo docente. O Complexo será também um shopping cultural, com livraria, cd-dvdteca, e dois cinemas. No entorno das salas de concerto foram definidos espaços informais como mini-teatros de arena, com a finalidade de os estudantes de musica poderem usá-los para se exercitar e fazer suas conversas musicais. Além de tudo, são quatro mirantes nos pontos cardeais olhando a Barra da Tijuca de diferentes formas, apoiados por cafés e restaurantes, toda a parte administrativa e um grande Parque Público com gramados e um lago que serpenteia. As salas de concerto, especialmente a grande sala, estarão equipadas para gravação dos eventos e transmissão por TV. O Conservatório teria sempre uma proporção de vagas para crianças e jovens com renda mais baixa.

5 - A estimativa do arquiteto é que um Complexo como esse, receba todos os dias, independente de concertos, 5 mil pessoas e que se torne um point de encontro e especialização de todos os que estudam e são aficionados pela musica, onde poderão estar todo o dia. O acesso aos espaços comuns é livre e gratuito. Além de tudo, foram desenhados grandes espaços para a exposição de artes plásticas, e por isso na origem o arquiteto tenha chamado de Cidade das Artes. A possibilidade de autofinanciamento - parcial e total - vai além dos patrocínios das empresas que tem a cultura como marketing de marca. As reuniões e encontros de grandes empresas, com concertos de gala, eventos internacionais, seriam outra forma de captação de recursos. E este complexo -que custará 250 milhões de dólares- supondo um cambio de 2 reais, ou menos se o cambio for maio, - onde já foram investidos 85% do total, sendo que todos -todos- os equipamentos estão comprados e estocados, faltando apenas as obras civis e de paisagismo.

Essas razões me levam a crer que os contrários ao equipamento não conhecem, de fato, a sua grandiosidade e importância para a nossa cidade.

Como ficou bem claro, não se trata de uma simples casa de musica, mas sim de uma grandiosa Cidade das Artes.

Enquanto a polêmica continua todos estamos perdendo, inclusive as crianças -entre elas os seus filhos- que já poderiam estar estudando a atividade artística preferida.

Pensem nisto e torçam comigo para que o nosso atual prefeito compreenda e reconsidere sua posição, dando continuidade às obras pelas quais já pagamos.

 Nicéas Romeo Zanchett - artista plástico

http://www.artmajeur.com/niceasromeozanchett

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