| O DESMANCHE CULTURAL DO RIO DE JANEIRO |
|
|
| Escrito por Nicéas Romeo Zanchett |
| Sex, 05 de Junho de 2009 18:19 |
|
O DESMANCHE CULTURAL DO RIO DE JANEIRO O Rio de Janeiro como centro cultural do país vem perdendo espaço desde a Semana de Arte Moderna de 1922. Pessoas importantes da cultura carioca como Cecília Meireles, Hemes Lima, Di Cavalcanti e Cândido Portinari foram perseguidos porque lutavam por esta centralidade. Muitos artistas mudaram para São Paulo e o próprio Cândido Portinari acabou candidatando-se a Senador daquele estado. Depois da Segunda Guerra Mundial, Chateaubriand lutou pela arte pedindo ajuda aos empresários e praticamente só os paulistas apoiaram. As obras conseguidas passaram a ser acervo do MASP. O Rio, não por iniciativas públicas, mas sim populares, reagiu com o Samba e a Bossa-Nova. O CPC da UNE abriu espaços para o Cinema Novo, mas com o regime autoritário, novamente foi prejudicado.
Com a eleição de Cásar Maia no ano 2000, voltamos a ter esperança depois de sua decisão de investir na construção de bons equipamentos públicos que viabilizassem a recuperação da centralidade cultural da nossa Cidade maravilhosa. Parte da promessa foi cumprida com a criação de diversos equipamentos como: Cidade do Samba, Circo Voador, Engenhão, Arena, Parque Aquático, Velódromo, Centro de Coreografia, Centro de Convenções da Cidade Nova, Centro de Referência da Música Carioca, Cidade das Crianças, Planetário de Santa Cruuz, 10 Vilas olímpicas, 10 Lonas Culturais, Rede de 10 Teatros que tinha sido iniciada em 1994, Parque da Visinhança de Deodoro, reconstrução do Centro Esportivo Miécimo da Silva com o Ginásio Algodão, Centro Cultural Princesa Isabel em Santa Cruz, Museu Helio Oiticica, entre outros. A experiência internacional indica que a recuperação da centralidade cultural e esportiva de uma cidade passa pela existência de equipamentos de alta qualidade. Na eleição de 2000 nos foi prometido também um grande equipamento que seria o Museu Guggenheim que acabou sendo impedido por ação judicial da oposição. Tal fato se deu devido, principalmente, por uma forte pressão de parte da imprensa estimulando uma oposição que impediu a realização do tão sonhado museu e, como sempre, a cidade saiu perdendo. Na tentativa de criar o equipamento centralizador o Museu de Artes Plásticas foi susbtituido por um Centro de Artes, -cujo projeto foi confiado ao consagrado arquiteto Christian Portzamparc- e assim nasceu a Cidade da Musica. Com o final de mandato e a obra ainda por acabar, o então prefeito inaugurou o grandioso equipamento sob severas críticas de parte da imprensa que assumiu para si a função de criar opinião pública contra o projeto. Com o processo eleitoral em andamento a oposição aproveitou a oportunidade para críticas demagógicas que nada mais fazem do que prejudicar ainda mais a cultura de nossa cidade. Enquanto isso, em São Paulo constroi-se o sofisticado Museu da Língua Portuguesa e o grandioso Museu do Futebol. Em Vitória-ES. está sendo construido um Centro Cultural Múltiplo. No Rio, com a nova administração eleita, inicia-se o desmanche cultural. Fala-se muito sobre a importância do Rio de Janeiro sediar grandes eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, mas pensa-se pequeno. Sabemos que nossa cidade tem grande importância no cenário turístico mundial e é exatamente por isso que precisamos equipamentos de nível internacional. Para atingir mortalmente a centralidade cultural da cidade o novo prefeito resolve paralizar as obras da Cidade da Musica e inicia uma suspeita e apessada auditoria. Tudo é feito a "toque de caixas". Na condução do processo o promotor encarregado tira férias e o seu substituto conclui tudo, sem depoimentos, sem perícias e rapidamente envia para o TJ. Uma atitude bem estranha. Pode-se compreender que a nova administração da prefeitura faça as tais auditorias, mas não havia necessidade de paralizar as obras, pois as auditagens são feitas em cima de documentos. Se existirem defeitos na obra são de responsabilidade dos construtores e devem ser cobrados. É um absurdo que as auditorias até tenham chegado a valores para concluir a obra. Esta não é sua função. Os valores estão consignados e não será quem contratou que dirá se faltará dinheiro ou não. Isto, se houver, é um problema dos construtores contratados e nunca de quem contratou. Com a paralização da obra haverá deterioração da parte já construida e este será um inquestionável argumento para as construtoras exigirem aditivos adicionais com aumentos imprevisíveis. A nova administração da prefeitura, na pressa de criar uma polêmica demagógica, esqueceu-se de que a responsabilidade pela paralização é sua e que no futuro lhe será cobrado qualquer valor que esta atitude insana tenha ocasionado. Enquanto a Cidade da Musica se deteriora os governantes estão gastando milhões para criar guetos murando algumas favelas da zona sul. Além disso, querem gastar cerca de 730 milhões de reais apenas para reformar o Maracanã. Toda essa polêmica é fumaça nos olhos dos cariocas que são os verdadeiros donos e pagadores. A Cidade da Musica virou "boi de piranha" para a campanha eleitoral de 2010. Como carioca de coração me sinto lesado e como artista plástico fico triste de ver que a demagogia mais uma vez impede que o Rio volte a ser o Centro Cultural do Brasil. Nicéas Romeo Zanchett - artista plástico http://www.artmajeur.com/niceasromeozanchett Venha participar de CONSCIÊNCIA CÓSMICA UNIVERSAL Uma comunidade de estudos, independente de religiões, que procura entender Deus e o universo a partir da ciência. Clique e entre >>> http://conscienciacosmicauniversal.ning.com
Marcar como favorito
Enviar por email
Leituras: 401 Comentários (0)
![]() Escreva seu comentário
Voce precisa estar logado para postar um comentário. Por favor registre-se se caso não tenha uma conta
|


Obra de Romeo Zanchett 
