Diante das proporções inimagináveis da repercussão da morte do cantor e dançarino “pop” Michael Jackson, arrisco a seguinte análise do fenômeno, começando com uma indagação:
Por quê o impacto emocional e a repercussão na mídia está sendo tão grande, tão desproporcional à própria qualidade do músico, compositor, cantor e dançarino, que ele era? Sim, pois que o Michael era um mero fruto específico de uma vertente da cultura popular norte americana, a meu ver altamente discutível e nem de longe uma arte de primeira classe. Um menino negro sofrido, sem dúvida, que por isso mesmo não queria crescer e que nunca aceitou ou assumiu a sua raça a ponto de querer ser branco e fazer um esforço imenso e patético, doloroso, para se tornar branco, de lábios e nariz finos e cabelo liso. Mas porque sendo um fruto de negação da realidade e portanto não de rebeldia legítima mas de doloroso conformismo, ele mobilizou e mobiliza tantos ainda, após a sua morte? Eu diria que por essa mesma recusa em crescer. Metade da humanidade se identifica com essa recusa, que décadas atrás ganhou o nome de “Síndrome de Peter Pan”. Diante dos horrores da nossa época, fruto da maldade, perversão e brutalidade do chamado “homem adulto e responsável”, devastador da natureza, criador de guerras, concentrador de riquezas e disseminador de miséria, uma imensa legião de homens e mulheres se identifica com esse sonho de permanecer criança, na suposta pureza e inocência desses pequenos seres que fomos, e em que Freud já havia, no entanto, detectado o embrião da violência e da crueldade negadas por nós em nossa mitificação dessa mesma infância.
Essa é, a meu ver, a verdadeira causa do fenômeno universal da repercussão da morte desse ídolo de pés de barro, que sintomática e simbolicamente queria andar para trás, a ponto de fazê-lo estilisticamente em sua dança.
A mídia internacional corrobora esse mito aumentando ou induzindo mesmo proporções universais, já que estamos na era da globalização e conseqüentemente também da banalização. Mas os meios de comunicação, como intermediários que são do inconsciente coletivo não logram auto-analisar-se e nem detectar a causa e a fonte dessa necessidade desesperada das pessoas de se identificarem, a ponto de sacralizarem um menino martirizado, um jovem doente e homem de 50 anos visivelmente deteriorado e trágico em sua recusa do amadurecimento e cuja revolta se manifestava de maneira equivocada, com a afirmação de ser “bad” (mau), pertencer a gangs de meninos delinqüentes em recintos visivelmente subterrâneos, cantando e dançando com agressividade marginal, com ríctus de ódio no rosto e gestos sincopados, espasmódicos e agudos. Tudo o que afinal corrobora a era de ódios e preconceitos em que estamos mergulhados.
Triste mundo o que faz de um menino magoado o seu herói!...
(Lucia Welt)
| Sobre o fenômeno da repercussão mundial da morte de Michael Jackson (por Lucia Welt) |
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| Escrito por Lucia Welt Valber | ||||||||
| Sex, 03 de Julho de 2009 15:54 | ||||||||
Sobre o fenômeno da repercussão mundial da morte de Michael Jackson (por Lucia Welt)
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Leituras: 404 Comentários (2)
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João Maurício Alexandre da Silva Sobral
said:
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Respeito muito sua opinião... mas não concordo! Ainda bem que existem opiniões diferentes, fazem a gente correr atrás de melhores respostas e melhores indagações! |
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Alex Carval
said:
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Boa visão mas.. Boa visão a sua, não tinha pensado dessa forma. Pelo menos não com esses detalhes. Ele tinha problemas sérios com certeza, oriundos de seu pai que tinha uma determinação pelo sucesso, que ele mesmo não conseguiu e jogou a responsa nos meninos. Deu certo. Só não contava que esses meninos eram humanos. E os humanos reagem á pressão conforme a acão, nesse caso, a mídia. Sendo fracos, acontece o que aconteceu.. |
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