| tudo muda, com o tempo. Inclusive caras, peitos e bundas |
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| Escrito por Álvaro Faria |
| Ter, 01 de Dezembro de 2009 20:14 |
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Deixei em mim um pouco de você, uma pequena parte que julguei ser necessária, para nunca mais esquecer o não que devo dizer, sempre que bateres à minha porta com teu leque de desculpas. Estejas certa de que não admitirei mais recaídas. Todas às vezes que tentares curar tuas frustrações em meus braços, hás de dar com a cara no muro, com os burros na água, pois não te darei absolvição. Vai, mulher fútil e devassa!... Continua pulando de galho em galho, deslizando de mão em mão, com essa tua certeza de que tua cara, teus peitos e bunda estarão sempre firmes, fortes e apetitosos. Chegará um dia em que o espelho, onde hoje ficas a te admirar envaidecida, cuspirá em tua cara e te repelirá para longe. E não haverá alguém por perto para enxugar tuas lágrimas de jacaré. E sabes por quê?... Porque esses príncipes de pele sedosa, sorrisos largos, músculos tesos e de corpos juvenis que agora te cercam, mais cedo ou mais tarde, encontrarão lençóis mais perfumados em cama que não será a tua. Então, quererás morrer de aflição, quando começarem a zombar de ti. Dirás: não é justo. Perguntarás a Deus que mal plantaste para merecer tal castigo. E, por aí, seguirão outras tantas queixas inúteis. Será que, em algum momento, pensas no desgosto e sofrimento que me causastes? No inferno que fizestes da minha vida? No caos absoluto em que meteste meu corpo, minha alma e meu espírito? Fico, agora, a me perguntar: além de mim, quantos mais se entregaram a ti e receberam o que recebi, covardemente? E, por quanto tempo pensavas que poderias levar-me no bico, julgando-me uma presa fácil? Qual braço te sustentará lá no fim?... Os meus, certamente, que não. Os meus quero-os bem distantes de teu corpo surrado, batido, profanado por mãos pagãs. O que tenho em mim é ouro puro, é pérola rara que não pretendo lançar aos porcos. Estou só e ficarei assim, até o glorioso dia em que hei de me deparar com uma alma que, de fato, queira ser amada e desejada em todos os sentidos, não apenas na carne destinada à putrefação. À parte isto, sinceramente, desejo que tomes juízo, plantes os pés em terra firme e fértil. Mas não te iluda achando que teu salvador será um desses bobalhões vestidos de Don Juan, porque não acontecerá. Caso sigas vestida de mariposa esvoaçante, barata tonta, até o linear de tuas curvas, lá onde já não serão mais curvas e sim crateras, quem sabe ainda possas encontrar refúgio em um convento.
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