| O Silêncio e a Solidão |
|
|
| Escrito por humberto firmo |
| Sex, 03 de Julho de 2009 13:19 |
|
O Silêncio e a Solidão O Silêncio andava pelos lugares mais estranhos da cidade. As vezes era visto em corredores de hospitais, ruas desertas com casas de portas e janelas fechadas, em recantos escuros e esquecidos. Outras vezes alguns diziam tê-lo visto entrando em terrenos abandonados e baldios. O Silêncio andava sozinho, sem ninguém que o acompanhasse. De olhos postos ao chão, andava. Quase anônimo. Numa noite, dessas de lua nova e escuridão fechada, tendo o Silêncio dobrado uma esquina, deu de cara com outra figura sentada na beira da calçada, soluçando, e de olhos fixos perdidos no nada. Era a Solidão. Que há muito também andava só. O Silêncio calmamente, nas pontas dos pés para não assustar a Solidão, chegou-se e perguntou sobre o motivo dos soluços. _Estou sozinha nesse mundo, ninguém me quer, sou a derradeira fronteira antes do abismo. Profundamente entristecida respondeu a Solidão. O Silêncio, comovido, convidou-a para andarem sempre juntas. _Vou lhe mostrar tudo que conheço. Cada canto inabitável desta cidade. A partir desta noite, quando as pessoas vêem o Silêncio atravessando ruas ou entrando em terrenos baldios, ela está sempre acompanhada. Agora também vêem outro vulto, quase uma sombra da própria sombra, sua inseparável amiga, a Solidão. Humberto Firmo
Marcar como favorito
Enviar por email
Leituras: 148 Comentários (0)
![]() Escreva seu comentário
Voce precisa estar logado para postar um comentário. Por favor registre-se se caso não tenha uma conta
|



