| A viagem |
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| Escrito por Rodrigo Della Santina |
| Qui, 12 de Novembro de 2009 22:22 |
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Voltei pra Fartura ontem, depois de muito sacrifício, eu diria, mas graças a Deus. Não é que eu não tenha gostado de estar lá em Guarulhos, ter revisto minha família, jogado pôquer, lanchado carne de minhoca, coisas assim, é que o planejado era voltar em uma semana, e acabou sendo mais de três. Eu já estava cansado. Aquela cidade é bagunça e estresse. Queria logo voltar pra casa. Inicialmente o impasse fora com os médicos da Fabi: um não atendia na data desejada, outro tinha morrido e outro ainda tinha uma secretária rabugenta, extremamente dedicada ao trabalho ou eleitora do Lula, sabe-se lá. Ficamos, então, uma semana mais, para que ela fizesse todos os exames necessários e se medicasse corretamente. Afinal, fora isso um dos motivos de nossa ida a Guarulhos. Depois, o problema fora o carro da minha sogra. Já tínhamos posto as malas no carro e tocado viagem quando aquela luzinha da temperatura apareceu para atormentar nossas vidas e nos impedir de viajar. A Via Crucis começara. Levaram o carro ao mecânico número um, que afirmou ser um problema com o termostato, ou a válvula deste. Era só colocar uma borrachinha e tudo estaria certo. Não estaria. Foram-se ao mecânico número dois, que arrumou tudo quanto tinha para arrumar, menos a droga do termostato. Nunca mais sairíamos de lá. Decidimos, então, que iríamos de ônibus. Verificamos os horários disponíveis e combinamos de no dia seguinte ir à rodoviária. Mas o nosso “amigo” Igor, jogador de pôquer que quase nunca joga, rogou-nos praga, dizendo não conseguiríamos viajar, que forças ocultas nos impediriam de tomar o ônibus. Então teve o apagão. (Por pouco não fico preso no elevador junto com a minha sogra. Até hoje ela acha que eu quero jogá-la dentro de um porta-malas). E quase mesmo não tomamos o ônibus. As autoridades dizem que o problema foi na transmissão de energia ou das condições climáticas. Não foi. Foi o Igor. Agora já sei por que ele tem medo de jogar comigo. Mas graças a Deus conseguimos regressar. Estamos agora em nossa casa, em nossa paz, ouvindo os passarinhos piarem de manhãzinha e também à tarde, comendo acerola do pé, escutando o relinche da égua e logo logo mergulhando na represa dos ranchos daqui. Sei que terei de voltar para lá (creio que em quinze dias) para buscar as coisas que não pudemos trazer nessa viagem. Mas dessa vez não vou passar pelo mesmo sufoco: já estou pensando em alugar um quarto de hotel por tempo indeterminado. E que Deus nos ajude!
* (Veja também as seções Poemas, Sonetos, Crônicas, Contos, Humor e Eróticos)
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