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SAFO - A RAINHA DE LESBOS PDF Imprimir
Escrito por Nicéas Romeo Zanchett   
Dom, 21 de Setembro de 2008 11:03

 Pintura de Romeo Zanchett

SAFO - A RAINHA DE LESBOS

Lesbos era a ilha das paixões e o centro da cultura eolia da raça grega. A energia que os jônicos consumiam pelo prazer, pela política, pelo comércio, pela ciência, pela legislação e pelas artes eram restringidas à esfera de emoções individuais. Em nenhuma época da história grega, tomaram o amor à beleza física, a sensibilidade ante a natureza radiante, o fervor consumado do sentimento pessoal, tão grande proporções e receberam tão ilustre expressão como em Lesbos.

Foi ali que desabrochou a mais bela poesia lírica de que o mundo teve conhecimento. A voluptosidade da poesia eolia não é como a da arte persa ou arabe. É grega nas suas proporções, no seu tato e no seu demínio de si.

Safo nasceu por volta de 612 antes de Cristo em Freso, na ilha de Lesbos. Assim a definiram os sábios: Platão - " a décima musa"; - Sócrates - "a bela".

Nas poesias de Safo está tudo tão ritmicamente em ordem pela arte suprema da serenidade, da grandeza, da expressão, do abandono e da paixão.

Safo, que se chamava Psafa no seu dialeto eolio, foi a única grande poetisa do mundo grego antigo. Ela viveu antes do nascimento de Gautama, fundador do Budismo. Sua poesia foi forte o suficiente para resistir a mais de vinte e cinco sécuslos. Sua importância ultrapassava fronteiras. A sobrevivência de sua obra deve-se às citações de gramáticos e de lexicógrafos, sem os quais nenhuma palavra teria chegado aos nossos dias. Apesar do tempo e das dificuldades gráficas, suas obras se conservaram intactas até pelo menos o terceiro século da nossa era.

Embora não pareça existir evidência afirmativa, consta que as obras de Safo e de outros poetas líricos foram queimadas em Constantinópla e em Roma no ano 1073, no papado Gregório VII. Já Cardano dissera que esta queima foi sobre o regime de Gregório Nazianzeno, cêrca do ano 380 de nossa era. Pedro Alcidrio diz ter ouvido, quando muito novo, que muitas obras de poetas gregos foram queimadas por ordem dos imperadores bizantinos e em seu lugar foram circulados os poemas de Gregório Nazianzeno. O Bispo Bloenfield declarou que devem ter sido destruidas bem cedo, porque nem Alceo e Nem Safo foram anotados por qualquer dos gramáticos ulteriores. Não há sombra de dúvidas que sua obra era grandiosa. Poucos foram os preciosos versos que escaparam à destruição promovida pelo anti-paganismo.

Mas, quem foi esta misteriosa Safo? Seu nome é encontrtado em todo o lugar, mas o mistério permanece. Que existiu, não há dúvidas, mas quais terão sido as sublimes artes que usou com as mulheres? Era tão mulher ao ponto de suas seguidoras serem chamadas de sáficas. Não tinha medo de homem, fosse ele de pequeno ou grande cérebro, a ponto de dizer "Eu amo as mulheres e elas me amam". safo excitou, e foi banida pelos seus contemporâneos, porque adorou e depravou centenas de garotas. Seu fim foi dramático como ela própria: Suicidou-se aos 55 anos, quando percebeu que o homem que amava não a queria e ainda a insultava. Uma grande poetisa, talvez a maior de todos os tempos. Possuidora de um caráter mórbido e melodramático, de personalidade inquitea, sonhadora e erótica.

As jóvens de hoje, que possuem os mesmos gostos apaixonados comentam sua história por ter ouvido falar. As verdadeiras herdeiras de Safo são as intelectuais que conhecem o essencial de sua vida e seu modo de amar. O orgasmo sáfico é muito mais que cerebral: é uma apaixonante dedicação física a outra mulher, seja ela ativa ou passiva.

Dos doze mil versos, sete mil enlouquecidos e cheios de libidos, belíssimos - em sua grande parte foram queimados pelas Cruzadas.

De todas as maravilhosas poesias que dedicou às suas amantes, somente a última chegou completa até nós. ODE.

 

 

ODE A VÊNUS - Por Safo

Filha de Jove, que tens altarers

Em cem lugares, Diva Falaz:

Ah! poupa máguas a quem de adora

A quem implora favor e paz.

.

Tu já outr'ora piedosa ouviste

O brado triste da minha voz:

E da paterma mansão celeste

A mim vieste pronta e veloz.

.

Ao nívio carro jungido tinhas

Das avesinhas o meigo par.

Ele voando pelo ar sereno

Em prado ameno veio pousar.

.

E tu, sorrindo, de mim diante

Meigo o semblante falaste assim:

"Safo, eu te vejo tão consternada,

Por que maguada chamas por mim?"

.

"Paixão te oprime? Gemes, suspiras

Dize, a que aspiram com tanto ardor?

Alguém, ingrato, se te não rende?

Ah! quem te ofende com tal rigor?"

.

"Há de rogar-te, se te ora engeita

Teus dons rejeita? Dons te dará:

Desquer-te amado? Por ti já esquiva

Em chama ativa se abrasará".

.

Também agora, deusa benigna

A mim de digna dar proteção:

Auxiliadora neste conflito

Vale ao aflito meu coração.

.

PUDOR - Por Safo

A teus dotes qual mais encantador

Tu ajuntas, amável criatura,

Um para mim de todos o maior,

E que até embeleza a formosura:

O pudor!

.

Safo era um verdadeiro homem, genitalmente mulher, com virilidade pelo fragil sexo. Sua infância foi em Mitilene, onde vivia com tres irmãos, invejando-os por seus atributos sexuais masculinos que eram seu sonho maior. Dizem que erá bem feminina e graciosa, possuidora de um belíssimo corpo, estatura baixa, pele escura e peluda. Assim se descreveu: "A natureza não foi madrinha, me recusou o esplendor do rosto, compensarei com minha genialidade satânica e com noites atrozes, onde os cegos enxergarão com a potência dos meus sentidos..."

Politicamente, teve implicações na conspiração dos nobres contra o governo democrático, foi exilada por infámia. Mudou-se para Siracusa, casando-se com um ricaço, permanecendo pura e intocada pelo membro masculino, como fez questão de acentuar: "E virgem permanecerei sempre, mas se algum dia acontecer de encontrar uma menina... Na ocasião a possuirei com ardor e também em mim mesma usarei um objeto com ponta e bem afiado..."

Suas queridinhas amantes não lhe deram exclusivamente prazer orgásmico. Conta-se que uma jovem loura provocou a ira de Safo, causando-lhe ciúmes e foi esganada. Uma outra loura, sua amante enteregou-se a um militar e, desta vez a poetisa desabafou com sua pena: - "Áttide, não lembras do luar banhando teu despido corpo? E minha língua rósea que levemente escorregava no teu escuro orifício? De ti me persiste a memória e em ti não existe lembrança! Lembrarás dos meus braços que tantas e tantas vezes te transportaram ao êxtase?"

A infiel loura apoixonou-se pelo militar grego, arrancando lágrimas de Safo. - " Ó amor, quem é o homem que senta à tua frente? Ah, me sinto enlevada pelo macho que está a teu lado porque já me falta a voz, e sinto a língua partida. Debaixo da pele, um fogo implacável circula. Os meus olhos não enchergam mais... Te desejo, ainda te quero, te arrancarei dele... O suor me inunda, os meus braços de macho te sacodem e te apertam. Oh, se eu tivesse músculos para desmembrar-te para sempre! Devo resignar-me por não possuir aquelas tres coisas do macho? Nunca! Voltarás para mim e "ali" te abrirei, enlouquecerás e esquecerás"

Jamais se cansava de repetir suas preferências: - "Amo a vida elegante e mulheres louras, claras como a lua, refinadas e esquivas. A beleza de minha amantes é para mim como a luz do sol..."

Na necrópole heleno - egípcia de Ossirinco, foram descobertos alguns sonetos lésbicos,em louvor à mulher, gravados em sarcófagos.

"Permanestes imóvel e do lado de lá nada conheces. Eu sinto nos meus braços mudos o tormento do verão nas primeiras chuvas, o medo do teu frio seio e da tua flor no alto. Meu rosto reclamará de ti suor e lágrimas. Mas, pobre de mim, serei como meus dedos, vasios, áridos. Chama, ó amada, a vida repetida, de quem por Ti a paixão prosta..."

OUTRAS OBRAS BELÍSSIMAS:

"Oh, tu imortal beleza, tecedora de enganos, peço-lhe

não mostrar com penas ê ânsias de amor o meu corpo e

o meu coração! Te adoro! Te quero para mim e para sempre.

Aqui vieste, voltaste. De longe ouviste minha voz e deixaste pai e mãe para seguir-me no leito dourado...

Te conduziam passaros leves e elegantes sobre a terra escura dos meus braços fortes.

Rapidamente vieste. Gritaste.

E tu, maravilha, sorrindo em teu rosto mortal me perguntaste de que penas sofrias e o que ainda suplicava...

No meu peito em delírio, sobre meu seio inexistente o que, diga-me, suplicavas?

Tu? Oh, mas se foges agora, cedo te perseguirei. Se recusares presentes, muito cedo presentes te darei.

Se não me amas, cedo me amarás, mesmo contra tua vontade. Venha a mim agora!

Quanto Clamor se compraz o teu corpo, e sobre o meu o teu Grande prazer, finalmente se cumpra! És minha!.

Tu própria, no espasmo final

que me das tua beleza e me assistes..."

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"O sangue flutua rápido em minhas veias; um acre calor invade minhas fibras. Ruborizo-me. Baixa a voz ao responder um gentil pensamento, inutilmente procuro e não acho. Com tumulto e força bate o sangue no meu peito. Morre a voz, enquanto eu passo minha língua em sua boca".

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"Guardo a chama dentro do meu sangue e fervo,

um estúpido e continuado tintinar, me enche

os ouvidos, e sonho. Levanto o olhar, e entrevejo

sombra de macho. Me encontro apagada, um suor

gelado, a fisionomia morta como erva que não

cresce, tremendo em arrepios, enquanto minha

língua ativa se dirige em tua direção. Anseio

a ti cada vez mais, quase até a morte certa,

apagar este fogo."

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"Virgindade, virgindade me deixas, onde vais?

Não voltarei mais para ti, nunca mais.

Tu é a flor purpúrea, que meus braços rudes,

pisam no abraço e aqui deitam, enquanto la fora

a brilhante aurora de beijos, carícias e humores

e morte, venham para mim, porque tanto te desejei..."

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"Uiva o vento entre as árvores. O meu não parece um rumor,

mas é o amor que corre, a paixão devoradora pelos teus lindos

cabelos e teus membros alvos, me esgota e me quebra.

Assim só, te desejo, eu morro!"

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"Alegria de viver, mais não tenho. A vontade de

morrer se apossa de mim, ver o lótus, molhado de

orvalho às margens do Acheronte..."

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"Oh, fêmea, que meu hábito não sentir e não provar, ir

aqui e ali entre obscuros mortos que esvoaçam sobre sua traição.

Oh amor, pudesse eu com meus braços sufocar-te. e aquela

vida de erros em segundo apagar..."

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"É como a maçã vermelha em seu ramo mais alto, os

colhedores a esquecem. Não a esqueceu quem era como

ela, mas também não conseguiu alcançá-la".

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Procurei mostrar-lhes um pouco da vida e da obra desta grande poetisa que, na verdade, nunca morreu. Para as amantes especiais e as amizades amorosas, Safo continua existindo. Do mundo do amor entre iguais ela é a inspiração e o árbitro.

NICÉAS ROMEO ZANCHETT

 

 

 

 

Pesquisa e postagem : Nicéas Romeo Zanchett - artista plástico

http://arteeroticauniversalmuseum.arteblog.com.br

http://kama-sutra-romeozanchett.arteblog.com.br

http://www.artmajeur.com/niceasromeozanchett

http://amulhereaarte.arteblog.com.br

http://homossexualismonasarteeletras.arteblog.com.br

http://www.maerz.com.br

OBRA ILUSTRATIVA - (pintura acrílica) de Romeo Zanchett

Comentários (1)add comment

Cris Perônico said:

Cris Perônico
...
Adorei!

Safo penetrou-me.
Grande abraço,

Cris

Contemplo Como o Igual dos Próprios Deuses

Contemplo como o igual dos próprios deuses
esse homem que sentado à tua frente
escuta assim de perto quando falas
com tal doçura,

e ris cheia de graça. Mal te vejo
o coração se agita no meu peito,
do fundo da garganta já não sai
a minha voz,

a língua como que se parte, corre
um tênue fogo sob a minha pele,
os olhos deixam de enxergar, os meus
ouvidos zumbem,

e banho-me de suor, e tremo toda,
e logo fico verde como as ervas,
e pouco falta para que eu não morra
ou enlouqueça.
 
outubro 19, 2008
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busy