| Em apoio ao operariado italiano pobre paulista s.XIX,carpinteiros e pedreiros: os maçons brasilinos! |
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| Escrito por Sergio Carneiro de Andrade |
| Qui, 22 de Outubro de 2009 19:43 |
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Na página www.classeslaboriosas.org.br/aaclpage.aspx temos a história dessa entidade médica, assistencial e cultural. Histórico: a mais antiga entidade beneficente e sem fins lucrativos do País, hoje denominada Associação Auxiliadora das Classes Laboriosas teve início em 1891 com a união de um grupo de carpinteiros e pedreiros para garantir assistência médica para as suas famílias. A proposta ia além disso, tinha por fim também defender os ideais trabalhistas em relação à jornada de trabalho excessiva e contra a exploração dos trabalhadores pelos empresários. O Estado republicano instalado no Brasil em 1889, em uma sociedade de traços ideológicos marcadamente escravistas, não garantia ao trabalhador outro direito que não o de ser livre para vender sua força de trabalho. Cumprindo longas jornadas que chegavam a 14 horas, sem direitos trabalhistas ou outras garantias sociais, o nascente operariado brasileiro no qual se incluía um número significativo de mulheres e crianças não foi aquinhoado com os direitos de cidadão, como o do voto, proibidos às mulheres e analfabetos. Suas reivindicações eram tidas como "desordens" e sobre eles recaiam os preconceitos contra o trabalho manual do estrangeiro grande parte deles eram imigrantes italianos e pobres. Concentrados em bairros operários, em geral formados nas proximidades das fábricas, os trabalhadores desenvolveram formas de vida características, marcadas por profundos laços de solidariedade e identidade. A situação de pobreza da maior parte dos operários paulistas pode ser avaliada pelo alto índice de mortalidade infantil e moléstias diretamente ligadas às condições de higiene e alimentação, como tuberculose, ou mesmo epidemias, como a gripe espanhola que assolou São Paulo em 1918, fazendo milhares de vítimas. A Associação de Pedreiros e Carpinteiros se reorganizou abrindo espaços para outros profissionais, razão pela qual o nome foi mudado para Associação Auxiliadora das Classes Laboriosas. Se não atingiu seu ideal trabalhista, pelo menos serviu para reagir contra o descabido "caixa de empresa", que sugava os proventos dos trabalhadores quando a doença os atingia. Estes injustos descontos empurravam os trabalhadores para as Classes Laboriosas em busca de uma assistência médica digna e barata. Um dos nomes de destaque pelo idealismo e amor às Classes Laboriosas, Alberto Ferreira Sertié, que foi o responsável pela elaboração do estatuto, demonstrou estar engajado com as lutas do seu tempo e ser defensor do mutualismo, sistema que abrigou a filosofia das Classes Laboriosas, ao declarar que pretendia continuar "a prestar sua inteligência em prol desta útil Associação, com esforços redobrados para que todos os companheiros se unissem e se fizessem fortes diante da prepotência do capitalismo". Comprado um terreno onde hoje é a Praça da Sé em São Paulo, instala-se em 1907 a nova sede na rua Roberto Simonsen, 22, com consultórios médicos e dentários, laboratório e farmácia. Para ajudar nas despesas, o espaço restante foi alugado, instalando-se no local o Centro Dramático e Recreativo Internacional, o Grêmio Dramático Maria Falcão e o Grêmio Dramático e Recreativo Anita Garibaldi. Uma feliz união entre o aspecto assistencial e a cultura foi fundida na mesma associação, com a participação dessas companhias teatrais. A entidade foi pioneira no Brasil a adotar o lazer (teatro, música e saraus) como terapia na cura de doenças. Só bem mais tarde, cientistas norte-americanos revelariam ao mundo a importância dessa terapia nos tratamentos de certas patologias. Espetáculos culturais passaram a ser apresentados no auditório Celso Garcia, um dos mais belos do começo do século e que conserva ainda hoje suas características originais, como vitrais e gradis de ferro nas escadas. O Salão Celso Garcia foi palco de inúmeras atividades operárias e sindicais desde o início do século até a década de 60, fazendo, portanto, parte da história e do patrimônio cultural dos trabalhadores de São Paulo. O luxuoso e preservado salão Celso Garcia assim foi denominado em homenagem ao grande benfeitor das Classes Laboriosas, Afonso Celso Garcia da Luz (que nomeia a Av. Celso Garcia), 1869-1908: este grande homem formou-se em Direito pela Faculdade de São Paulo em 1895 e dedicou-se à Advocacia e ao Jornalismo. Espírito culto e orador de largos recursos, conquistou grande simpatia entre as classes operárias, das quais foi amigo e defensor.
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