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Escrito por Joao do rozario lima   
Qui, 24 de Julho de 2008 20:58

O SOFRIMENTO DE UMA FAMILIA

 

JOVELINO:

Bom dia compadre, tudo bem?

 

ATHAYDES:

A gente vai levando compadre.

 

JOVELINO:

Fiquei sabendo que o compadre está querendo vender a colônia?

 

ATHAYDES:

Estou sim compadre.

 

JOVELINO:

Mas porque compadre?

 

ATHAYDES:

É que com este juro de 7% é bem melhor que ter terras.

 

JOVELINO:

Tive uma idéia compadre.

 

ATHAYDES:

Que idéia é esta compadre?

 

JOVELINO:

Eu compro sua colônia e fico com o dinheiro a juro.

 

ATHAYDES:

Está bem, negócio feito.

 

JOVELINO:

Compadre, quando o senhor precisar de remédio para seus filhos pode ir buscar.

 

ATHAYDES:

Mulher, vamos vender este gado, e comprar aquela colônia lá naquela serra em Cristalina, lá é um ótimo lugar para criar éguas de raça.

 

ZITA:

Athaydes, as mercadorias acabaram, e o que vamos fazer?

 

ATHAYDES:

Está bem mulher, amanhã cedo vou até a cidade e pego o juro do dinheiro da colônia com o compadre.

 

JOVELINO:

Compadre, não o esperava o senhor por aqui tão cedo.

 

ATHAYDES:

Porque não compadre, o juro  do mês passado já venceu, e eu vim busca-lo.

 

JOVELINO:

Há compadre, é que estou desprevenido, tudo o que posso arrumar para o senhor hoje é só remédio.

 

ATHAYDES:

É mulher, acho que entramos pelo cano. O compadre Jovelino parece estar nos enrolando.

 

ZITA:

O que o compadre disse.

 

ATHAYDES:

Quando pedi a ele o juro do dinheiro da colônia, me disse que estava desprevenido e me disse que o que poderia me adiantar er só remédio.

 

ZITA:

O compadre não pode fazer isto conosco, aquele dinheiro é resultado de todo o trabalho de uma vida.

 

ATHAYDES:

Hoje achei um bom negócio no gado.

 

ZITA:

Que negocio foi que você achou?

 

ATHAYDES:

Lembra da colônia que eu falei em Cristalina.

 

ZITA:

Diga logo homem.

 

ATHAYDES:

Eu estive com o dono da colônia e ele disse que faz negocio com o gado.

 

ZITA:

Que bom, vai fazer este negocio logo homem.

 

ATHAYDES:

Amanhã cedo eu vou fechar o negocio com ele.

 

VALDEMAR:

E daí seu Athaydes, veio fazer o negocio?

 

 

ATHAYDES:

A sim seu Valdemar, conversei com a mulher e resolvemos fazer negocio.

 

 

VALDEMAR:

Esta bem a colônia então é sua.

 

ATHAYDES:

Seu Valdemar, que dia o senhor vai me entregar a colônia?

 

VALDEMAR:

Entrego hoje mesmo. Amanhã cedo vou buscar o gado e tirar minha mudança.

 

ATHAYDES:

Mulher pode arrumar as coisas que amanhã cedo vamos mudar para a colônia que compramos.

 

ZITA:

Que lugar bonito!, E a terra é fértil.

 

 

ATHAYDES:

Vamos levantar crianças, já são 6 horas.

 

JOÃO:

Pai! Vem ver uma coisa.

 

ATHAYDES:

O que aconteceu menino?

 

 

JOÃO:

Os patos estão todos mortos.

 

ATHAYDES:

Meu Deus olha ai uma cobra, deve ser ela que os matou.

 

ZITA:

É homem as cobras mataram todas as galinha e patos. O que vamos fazer?

 

ATHAYDES:

É mulher a única maneira é fazer angu de banana para comermos.

ZITA:

Com que vamos temperar o angu de banana?

 

ATHAYDES:

Eu vi esta noite um gambá que quase não agüentava andar de tão  gordo. Vou fazer uma arataca e pegar um para fazer gordura.

 

JOÃO:

Esta carne de gambá com angu de banana está ótima papai.

 

 ATHAYDES:

Comam meus filhos que é a única coisa que temos no momento.

 

ZITA:

Athaydes, não sabe da maior.

 

ATHAYDES:

Diga mulher o que aconteceu desta vez?

 

ZITA:

Encontrei duas daquelas éguas picadas pelas cobras e mortas.

 

ATHAYDES:

Amanhã vou cedinho até São Roque ver se o compadre Jovelino me arrume os juros do nosso dinheiro.

 

JOVELINO:

Oi compadre, o que faz por aqui?

 

ATHAYDES:

Vim buscar meu dinheiro uai?

 

JOVELINO:

Há compadre, me meti em um garimpo de cristal e estou falido.

 

 

ATHAYDES:

O senhor deve estar brincando compadre. Meus animais morreram todos picados pelas cobras. Eu e minha família estamos quase passando fome. A única coisa que temos comido é angu de banana com gambá.

 

JOVELINO:

É compadre, esta é a verdade, estou falido.

 

ATHAYDES:

É mulher. Fui procurar os juros do dinheiro emprestado para o compadre e ele disse-me  que está falido.

 

ZITA:

É homem o único jeito é vender estas terras para podermos sobreviver. Neste lugar nada vai para frente.

 

ATHAYDES:

Acho que vou oferecer para o Dico Sequim, uns dias  atrás ele perguntou se eu vendia as terras.

 

 

ZITA:

Vai logo homem.

 

ATHAYDES:

Vendi as terras mulher.

 

 

ZITA:

Que negocio você fez?

 

 

ATHAYDES:

Vendi com um prazo de 90 dias para receber. Só que o homem que comprou quer que desocupamos a colônia daqui uma semana.

 

ZITA:

Você pegou algum documento dele?

 

ATHAYDES:

A sim, ele assinou uma letra.

 

ZITA:

Athaydes hoje já faz 90 dias que vendemos a colônia e esta na hora de irmos receber o dinheiro.

 

ATHAYDES:

Bom dia seu Dico, ontem venceu o prazo para o senhor pagar minha colônia e eu vim receber.

 

DICO:

Sinto muito seu Athaydes, não tenho seu dinheiro. Comprei algumas madeiras e vendi para uma pessoa mal pagadora e fiquei sem receber e acho que nunca poderei pagar o senhor.

 

ATHAYDES:

A meu Deus! Isto parece castigo. A outra colônia não recebi, esta pelo o que estou vendo também não receberei.

 

EDIGAR:

O compadre Athaydes, fiquei sabendo do ocorrido. Se quiser ir morar em minha fazenda lá tenho muito trabalho.

 

ATHAYDES

É mulher,já se faz 10 anos que estamos trabalhando nesta fazenda e só fazemos muito mal para comer.

 

ZITA:

Athaydes, tem uma família na vila  que estão indo para um lugar chamado Rondônia, e disseram que lá terra é de graça, qualquer um pode apossar das terras.

 

ATHAYDES

A única coisa que temos é pouquinho de dinheiro para pagar as passagens no Pau de Arara.

 

ZITA:

Vamos embora homem.

 

 

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