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Aos quatro ventos de Eolo PDF Imprimir
Escrito por Rodrigo Della Santina   
Ter, 01 de Junho de 2010 01:23

Não cuideis, ó ventos de Eolo, que vossas bochechas infladas

                                                                            metem-me medo.

Sou filho de Apolo, neto de Zeus.

Meu sangue é quente como o deus do sol, Hélios,

E tenho a tristeza dos anjos de Dédalo.

 

Na alma, as imolações antigas,

O passado sempre à frente,

A intrepidez de Prometeu,

A esperança do filho de Laio.

 

Meu caminho é o horizonte, a verdade, o indefinido.

Carrego no colo o silêncio eterno (a inquietação sublime) de Harpócrates

                                               que, como aquela ninfa, reverbera em mim.

 

Por isso escrevo. E não há coisa alguma que podeis fazer.

Portanto, não cuideis, ó ventos de Eolo, que meteis-me medo:

                                                                                             o ar é meu.

O ar, o fogo, a criação de mim.

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